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Entrevista com Gail Simone

Imagine uma realidade em que as personagens femininas na ficção são menos objetificadas e têm voz ativa, personalidade marcante e independem de figuras masculinas para tomar suas decisões. Essa realidade não é alternativa.

Ela existe e começa a tomar conta do mercado dos quadrinhos, graças aos esforços de artistas como Gail Simone e as integrantes do projeto Women in Refrigerators, que monitora e lista as violências sofridas por mulheres nas HQs, apenas como solução na narrativa para avançar a história de homens protagonistas, quase sempre em busca de vingança.



Simone é uma roteirista premiada com trabalhos autorais aclamados pelo público e pela crítica, como as séries Clean Room e Crosswind. No mundo das animações, trabalhou com Tomb Raider, Justice League Unlimited e Wonder Woman. Trabalhou ainda em outros títulos importantes de editoras internacionais, como Birds of Prey, Simpsons, Secret Six, Welcome to Tranquility, The All-New Atom, Deadpool, Red Sonja e Batgirl.

A artista foi convidada da CCXP17 e participou de várias atividades no evento, como sessões de autógrafos no estande da Chiaroscuro e um painel especial sobre a carreira e sobre representação e diversidade na cultura pop.

Confira a transcrição da entrevista feita com a autora no evento:


No passado e ainda nos dias de hoje, seja nos quadrinhos ou nos cinemas, a figura feminina é retratada como frágil. Existe também a questão da hipersexualização nessas representações. Na sua opinião, como isso reflete no desenvolvimento da autoestima das garotas que leem HQs? 

Eu realmente sinto que papéis representativos na mídia são muito importantes para nós. Se continuarmos a dar péssimos exemplos nas representações de mulheres e garotas adolescentes, isso realmente nos afeta à medida que crescemos.

E eu estou amando o que tenho visto agora no novo filme da Mulher-Maravilha e em outras ocasiões na ficção em que vemos mulheres que governam suas atividades, que podem cuidar de si mesmas. E ainda serem vulneráveis se precisarem ser.

A variedade é extremamente importante, eu realmente desaprovo colocar a personagem feminina com o mesmo estereótipo e a gente vê o mesmo tipo de personagem feminino repetidas vezes.


Capa de "O Círculo", história da Mulher-Maravilha escrita por Gail Simone.



Prestem atenção: diferentes personalidades, formatos de corpo, estilos e motivações existem em personagens femininos assim como em personagens masculinos, então vamos enxergar.

Qual a mensagem que você gostaria de dar para as garotas que querem entrar no mercado de quadrinhos?

E para as pessoas novas que querem fazer quadrinhos ou que estão entrando no mundo dessa indústria, o que eu realmente te encorajo a fazer e que é tão importante, é trazer seus princípios com você. Não tente se encaixar ou fazer o que já foi feito antes, especialmente se você não concordar com o que já foi feito, especialmente se você quer ver algo que ainda não existe, traga isso com você, exponha a todos isso, não tenha medo. Ser criativo nessa indústria leva muita coragem, e é isso o que faz valer a pena, você conseguir quebrar estereótipos, ou trazer algo novo para um público que não tinha pensado dessa maneira antes, é o mais importante de tudo!


Crosswind, trabalho autoral de Gail Simone



Em sua carreira, quais foram as maiores barreiras que você encontrou com o machismo e a representação sexual nas HQs?

Em mais ou menos uma década que estou na indústria dos quadrinhos e do entretenimento eu vejo uma grande mudança. Por exemplo, quando eu comecei havia definitivamente sinais de uma indústria dominada por homens. Quando eu perguntava quantas leitoras mulheres um livro ou quadrinhos em geral deveria ter, me respondiam que não havia estatísticas, que não sabiam o número e que não era importante.

Aquilo me mostrou que eles não se interessavam em obter um público feminino nos quadrinhos. E eu achava muito triste porque para uma empresa ignorar 50% do seu potencial de audiência não parecia ser um bom negócio, além do fato de existirem muitas mulheres talentosas em várias áreas dessa indústria: escrevendo, pintando, finalizando com tinta, colorindo, fazendo lettering, editando, produzindo, e começamos a ver essa história repetidas vezes, então é hora de mudar.

E se você avançar para os dias de hoje, ainda não temos um espaço para isso, mas estamos perto. E nós estamos vendo, se você observar o Artists’ Alley na parte de quadrinhos, você verá um monte de mulheres criativas em várias áreas dessa indústria, e um monte de talentos incríveis que vieram de vários lugares do mundo que são mulheres e as pessoas estão interessadas e não ignorando, e isso que importa, nós queremos um mercado equiparado para que nosso trabalho seja visto, com igualdade, em Portfolios Reviews ou encontros para discutir a história e estamos lutando para isso.”

 

Os painéis sobre representatividade e diversidade na cultura pop acontecem na CCXP desde 2014 é já são tradição no evento. Você já participou dos painéis? Conte pra gente! 

 

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Veja mais fotos de Gail Simone na CCXP17: